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Seguindo o calendário B3, as operações durante o período de Carnaval terão horários especiais.
Segunda 16 de fevereiroFechado para operações
Terça 17 de fevereiroFechado para operações
Quarta 18 de fevereiroOperações a partir das 13h
Quinta e Sexta 19 e 20 de fevereiroOperações normais
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E-consignado: o que é e como funciona?
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E-consignado: o que é e como funciona?

Qual a relação entre crédito consignado e transformação digital?

crédito consignado é uma das principais modalidades de empréstimo no Brasil, especialmente para aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos, por causa do desconto direto em folha e das taxas de juros mais baixas em comparação com outras linhas de crédito. Nos últimos anos, a agenda de inclusão financeira e de digitalização dos serviços públicos impulsionou a ampliação desse mecanismo para trabalhadores da iniciativa privada, especialmente formais (CLT).

O que é o e-consignado na prática?

O e-consignado é uma plataforma digital criada pelo Governo Federal para centralizar e modernizar a concessão de empréstimo consignado para trabalhadores com carteira assinada. Em vez de cada empresa firmar convênios individuais com bancos, o sistema padroniza a comunicação entre instituições financeiras, empregadores e bases oficiais de dados trabalhistas, dentro do programa “Crédito do Trabalhador”. Na prática, o trabalhador pode simular, comparar ofertas e contratar o empréstimo em ambiente digital, muitas vezes acessando a funcionalidade a partir da Carteira de Trabalho Digital. As informações sobre vínculo empregatício, remuneração e margem consignável são puxadas diretamente das bases oficiais, o que reduz a necessidade de envio de documentos, diminui o risco de informações incorretas e torna o processo mais rápido para todas as partes envolvidas.

Como funciona a integração com eSocial e Carteira de Trabalho Digital?

Um dos pilares do e-consignado é a integração com o eSocial e com a Carteira de Trabalho Digital. Esses sistemas concentram dados sobre vínculos, remuneração, afastamentos e histórico do trabalhador. A plataforma consulta essas informações para verificar se há margem consignável disponível, registrar a autorização do desconto e automatizar o repasse das parcelas diretamente na folha de pagamento. Essa integração não se limita a grandes empresas. Categorias como empregados domésticos, trabalhadores rurais e funcionários de pequenos negócios também passam a ser alcançadas, desde que estejam devidamente registradas no eSocial. A lógica é democratizar o acesso ao consignado, rompendo a dependência de convênios específicos e permitindo que o vínculo formal seja o elemento central para acesso ao crédito.

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Como funciona para o trabalhador CLT?

Para o trabalhador CLT, o fluxo tende a ser simples. Ele acessa a Carteira de Trabalho Digital ou o aplicativo do banco, escolhe a opção de crédito consignado e autoriza a consulta à sua margem. A partir daí, recebe propostas de diferentes instituições, com taxas, prazos e valores. Após selecionar a oferta desejada, a contratação é formalizada eletronicamente e a averbação do desconto em folha é registrada pela própria plataforma, sem intervenção manual do empregador. As parcelas passam a ser descontadas diretamente do salário, respeitando o limite de comprometimento de renda definido em lei. Como o risco de inadimplência é menor, as taxas costumam ser inferiores às do crédito pessoal tradicional. Ao mesmo tempo, o trabalhador consegue acompanhar o saldo devedor, o valor das parcelas e o prazo restante do contrato em ambiente digital, o que aumenta a previsibilidade do orçamento.

Quais os aspectos legais e a segurança das operações?

O e-consignado é sustentado por uma base jurídica que foi sendo construída ao longo dos últimos anos. A Lei nº 10.820/2003 disciplinou o desconto de prestações em folha de pagamento para empréstimos consignados, estabelecendo a arquitetura básica desse mercado. Normas posteriores trataram de temas como margem consignável, limite de comprometimento de renda e portabilidade entre instituições. No ambiente digital, a segurança jurídica se reforça com a Lei nº 14.063/2020, que reconhece a validade de assinaturas eletrônicas e digitais para contratação de serviços e produtos, inclusive financeiros. Há ainda decretos que detalham procedimentos de verificação biométrica, consentimento para tratamento de dados e requisitos técnicos para uso de assinaturas eletrônicas em operações de crédito com desconto em folha, o que dá respaldo à contratação totalmente remota.

Como funciona a proteção de dados e a rastreabilidade?

Como o e-consignado depende de grandes volumes de dados trabalhistas, salariais e, em muitos casos, biométricos, é obrigatório observar os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Isso inclui coleta mínima de informações, finalidade clara, compartilhamento restrito, segurança técnica adequada e transparência para o titular dos dados. Ao mesmo tempo, a contratação digital gera trilhas de auditoria mais robustas: registros de acesso, logs de aceite, comprovantes de autenticação e carimbos de tempo. Essas evidências são importantes tanto para comprovar a existência e a validade do contrato quanto para resolver eventuais conflitos sobre descontos não reconhecidos ou questionamentos sobre a identidade de quem contratou.

Quais vantagens do e-consignado para trabalhadores e empresas?

Para o trabalhador, as principais vantagens são acesso facilitado a crédito com taxas mais baixas, possibilidade de comparar propostas em um ambiente padronizado e maior clareza sobre condições e prazos. O fato de o desconto ser feito diretamente na folha tende a reduzir atrasos e multas, o que ajuda a organizar o orçamento, desde que o crédito seja utilizado com planejamento. Para as empresas, o modelo reduz burocracia e risco operacional. Em vez de negociar, administrar e conciliar múltiplos convênios bancários, o empregador passa a ser apenas o responsável por efetivar, na folha, os descontos previamente autorizados pelo trabalhador em ambiente digital. Isso diminui o trabalho manual do departamento pessoal, reduz a chance de erros em lançamentos e limita o espaço para conflitos internos sobre quais bancos podem ou não operar com a empresa.

Existe padronização e redução de fraudes?

A padronização dos fluxos de informação é outro ganho relevante. Quando os contratos passam por uma mesma plataforma, com regras claras de validação de dados, autenticação de identidade e guarda de evidências, fica mais difícil que ocorram operações não autorizadas ou manipulação da margem consignável. Mecanismos automatizados de monitoramento podem detectar tentativas de contratação em série, padrões atípicos e possíveis golpes.

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Quais são os riscos, cuidados e boas práticas?

Mesmo com juros menores, o consignado continua sendo crédito. A facilidade de contratação em poucos cliques aumenta a responsabilidade de todos os envolvidos. Trabalhadores que já possuem outras dívidas podem se ver tentados a recorrer ao e-consignado para “tapar buracos” sucessivos, entrando em ciclo de superendividamento. Por isso, a expansão do sistema precisa caminhar junto com educação financeira. Instituições financeiras devem adotar práticas de transparência na oferta, apresentando o custo efetivo total, os impactos no orçamento mensal e alternativas mais adequadas quando o cliente já demonstra comprometimento elevado de renda. As empresas, por sua vez, precisam ajustar processos de folha e comunicação interna, garantindo que os descontos sejam aplicados corretamente e que os colaboradores saibam como acompanhar seus contratos e a margem disponível.

Como a educação financeira pode ser aliada?

Programas de educação financeira, simuladores didáticos e alertas contextuais nos próprios aplicativos de contratação podem ajudar o trabalhador a usar o e-consignado de forma mais consciente. A mesma tecnologia que agiliza o crédito pode ser utilizada para exibir cenários comparativos, explicar conceitos básicos de endividamento e reforçar que o consignado não é solução para todos os problemas financeiros. Quando usado de forma planejada, o e-consignado pode contribuir para substituir dívidas mais caras, financiar necessidades pontuais e dar fôlego ao orçamento. Sem esse cuidado, porém, o desconto automático em folha pode comprometer a renda disponível por longos períodos, afetando a qualidade de vida do trabalhador e de sua família. O e-consignado tende a se consolidar como uma peça importante da infraestrutura de crédito do país, especialmente à medida que mais instituições e empregadores aderirem à plataforma. A integração com outros serviços digitais do governo e o avanço de tecnologias de identificação segura devem tornar o sistema mais eficiente, transparente e inclusivo. No longo prazo, o sucesso do e-consignado dependerá do equilíbrio entre acesso ampliado ao crédito, proteção de dados, segurança jurídica e uso responsável por parte dos trabalhadores.

Referências:

https://www.gov.br/esocial/pt-br/noticias/credito-do-trabalhador-orientacoes-sobre-o-emprestimo-consignado-no-esocial

https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=481579

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14063.htm

https://www.serasa.com.br/credito/blog/e-consignado-entenda-plataforma-do-governo-para-credito-consignado/

https://documentacao.senior.com.br/documentoseletronicos/5.8.15/html_ajuda/esocial/consignacao-empregador.htm

https://www.gov.br/pt-br/servicos/emitir-extrato-de-emprestimo-consignado

https://www.gov.br/servidor/pt-br/acesso-a-informacao/faq/aplicativo-sigepe-mobile/consignacao/consignacao

https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?numero=144&tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o%20BCB

https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?numero=5057&tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o%20CMN

O que é uma SCD (Sociedade de Crédito Direto)?
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Crédito
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O que é uma SCD (Sociedade de Crédito Direto)?

A Sociedade de Crédito Direto é uma instituição financeira criada para conceder empréstimos, financiamentos e adquirir direitos creditórios utilizando exclusivamente recursos próprios e operando de forma 100% digital, por meio de plataformas eletrônicas. Esse modelo foi regulamentado pelo Conselho Monetário Nacional em 2018, pela Resolução nº 4.656, que definiu regras específicas para as fintechs de crédito no Brasil e inseriu a SCD no conjunto de instituições do Sistema Financeiro Nacional. Na prática, a SCD é uma fintech com “status” de instituição financeira plena, autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil. Diferentemente de correspondentes bancários ou empresas que apenas intermediam operações, a SCD assume diretamente o risco de crédito, pois empresta dinheiro que sai do próprio caixa da instituição ou de estruturas de capital ligadas a ela, e não de depósitos do público.

Qual a origem do modelo no contexto das fintechs de crédito?

A criação da SCD foi uma resposta regulatória ao avanço das empresas de tecnologia financeira que já ofereciam crédito de forma digital. Ao estabelecer um marco específico para SCD e SEP (Sociedade de Empréstimo entre Pessoas), a Resolução nº 4.656 buscou dar segurança jurídica ao modelo, incentivar a competição com os bancos tradicionais e garantir padrões mínimos de capital e gestão de risco para essas novas instituições. Com isso, as SCDs se consolidaram como um dos principais canais para expansão do crédito digital a pessoas e empresas.

Como uma SCD funciona na prática?

O modelo de negócio da SCD gira em torno da concessão de crédito por meio de plataformas digitais, como aplicativos ou interfaces web. Todo o relacionamento com o cliente é feito online, da simulação à contratação, com análise de crédito baseada em dados, algoritmos e modelos estatísticos, o que permite decisões mais rápidas e aderentes ao perfil de risco do tomador. Essas instituições podem realizar operações de empréstimo, financiamento e aquisição de direitos creditórios, como antecipação de recebíveis. A regulação também permite que a SCD preste serviços adicionais, entre eles análise de crédito para terceiros, cobrança de créditos próprios ou de parceiros, emissão de moeda eletrônica e distribuição de seguros vinculados às suas operações, sempre dentro dos limites definidos pelo Banco Central. Leia também sobre o impacto da Selic alta no mercado de capitais

Como funcionam as operações com capital próprio e ambiente 100% digital?

Um ponto-chave da SCD é a obrigação de usar capital próprio nas operações de crédito. Ela não pode captar depósitos do público, nem emitir produtos típicos de bancos, como CDBs ou contas de depósito. Isso reduz o risco sistêmico, mas exige robustez financeira e gestão de risco bem estruturada, já que eventuais perdas impactam diretamente o patrimônio da instituição. Outro aspecto é o ambiente exclusivamente digital, que reduz custos operacionais e permite oferecer processos mais simples, taxas potencialmente mais competitivas e experiência de usuário alinhada às expectativas do consumidor conectado.

Quais as diferenças entre SCD, bancos e SEP?

Embora faça parte do Sistema Financeiro Nacional, a SCD não é um banco tradicional. Bancos podem captar depósitos à vista e a prazo, emitir letras financeiras e outros instrumentos voltados ao público em geral. Já a SCD está proibida de captar recursos do público, operando apenas com capital próprio e, em alguns casos, com estruturas como fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) que adquirem parte de sua carteira de crédito. Outro ponto importante é a comparação com a SEP, Sociedade de Empréstimo entre Pessoas, também criada pela Resolução nº 4.656. Enquanto a SCD concede crédito com recursos próprios, a SEP atua como plataforma de intermediação, aproximando credores e tomadores em operações do tipo “peer-to-peer lending”. Na SEP, o risco de crédito é assumido pelos investidores que emprestam os recursos; na SCD, o risco recai sobre a própria instituição financeira.

Qual o impacto no acesso ao crédito e na concorrência?

Na prática, SCDs e SEPs ampliam as alternativas disponíveis para quem precisa de crédito e para quem quer investir nesse segmento. Ao eliminar parte da burocracia e incorporar tecnologia desde a originação até a cobrança, essas instituições reduzem custos de intermediação e tornam o mercado mais competitivo, pressionando bancos tradicionais a modernizar processos e desenvolver soluções digitais mais eficientes.

Quais os requisitos regulatórios para se tornar uma SCD?

Por se tratar de uma instituição financeira, a SCD precisa de autorização prévia do Banco Central para funcionar. A regulamentação exige que a empresa seja constituída como sociedade anônima, com capital social e patrimônio líquido mínimos, além de estrutura de governança compatível com o porte e a complexidade das operações. No processo de autorização são analisados o plano de negócios, a origem dos recursos, a capacidade econômico-financeira dos controladores e a estrutura de controles internos e de gestão de riscos. Depois de autorizada, a SCD passa a ser supervisionada de forma contínua pelo Banco Central, devendo enviar informações periódicas sobre suas operações, indicadores de risco, capital e liquidez. Também precisa cumprir normas de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo, regras de proteção de dados e padrões de transparência no relacionamento com clientes. Leia também sobre Banco Liquidante

Como funciona a gestão de risco, capital e compliance?

Como a SCD empresta recursos próprios, a qualidade da carteira de crédito é determinante para sua sustentabilidade. A regulação enfatiza a necessidade de políticas claras de concessão, critérios objetivos de análise e monitoramento constante da inadimplência. Muitas SCDs utilizam modelos avançados de “credit scoring” e dados alternativos para segmentar clientes e precificar o risco de forma mais precisa, ao mesmo tempo em que investem em segurança da informação e governança de dados para mitigar riscos operacionais e cibernéticos.

Por que a SCD ganhou relevância no mercado de crédito?

A SCD cresceu em um ambiente de demanda por crédito mais acessível, rápido e transparente. Para pessoas físicas, isso se traduz em empréstimos pessoais digitais, crédito para consumo e soluções integradas a carteiras digitais. Para empresas, especialmente micro e pequenas, a SCD viabiliza antecipação de recebíveis, capital de giro digital acoplado a meios de pagamento e crédito integrado a sistemas de gestão e cobrança. Outro fator de relevância é a integração das SCDs com outros ecossistemas digitais. Muitas operam em modelo “white label” ou em parcerias B2B2C, oferecendo crédito dentro de marketplaces, plataformas de e-commerce, ERPs, sistemas de cobrança e bancos digitais, fazendo com que o crédito apareça no momento exato da necessidade do cliente.

Quais os desafios e perspectivas para as SCDs?

Apesar do potencial, as SCDs enfrentam desafios relevantes. A competição no mercado de crédito digital é intensa, com bancos, fintechs, varejistas e grandes empresas de tecnologia disputando os mesmos clientes. A pressão por crescimento rápido pode levar a políticas de crédito mais agressivas, elevando o risco de inadimplência. Além disso, o ambiente macroeconômico influencia diretamente a demanda por crédito e a capacidade de pagamento dos tomadores, exigindo gestão prudente de risco e de capital. A Sociedade de Crédito Direto é uma peça central da transformação digital do crédito no Brasil. Ao unir tecnologia, regulação específica e atuação com capital próprio, esse tipo de instituição amplia a concorrência com os bancos, cria novas formas de distribuição de crédito e melhora a experiência do usuário. Para empreendedores, investidores e tomadores, entender o que é e como funciona uma SCD deixou de ser detalhe técnico e passou a ser conhecimento essencial para acompanhar a evolução do sistema financeiro nacional.

Referências: https://normativos.bcb.gov.br/Lists/Normativos/Attachments/50579/Res_4656_v5_L.pdf https://blog.safie.com.br/?p=9980 https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/fintechs https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?numero=4656&tipo=RESOLU%C3%87%C3%83O https://www.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/16-a-regulamentacao-das-fintechs-de-credito-sociedade-de-credito-direto-e-sociedade-de-emprestimo-entre-pessoas-resolucoes-4656-2018-e-4792-2020-banking-40/1198085306 https://www.gov.br/iti/pt-br/assuntos/noticias/iti-na-midia/as-fintechs-e-a-seguranca-juridica

Gestores de recursos: quem são e como atuam no mercado de capitais
Gestão
Mercado

Gestores de recursos: quem são e como atuam no mercado de capitais

No mercado de capitais, os gestores de recursos são atores centrais responsáveis por transformar recursos de investidores em carteiras de ativos que buscam retorno compatível com objetivos e restrições pré-definidas. Esses profissionais e instituições — conhecidos também como gestoras de recursos, asset managers ou gestores de investimentos — reúnem equipe de análise, processos de governança, modelos de risco e infraestrutura operacional para tomar decisões de alocação em ações, renda fixa, crédito privado, ativos imobiliários e instrumentos estruturados.

A importância desse papel vem da crescente complexidade dos mercados financeiros: além de escolher ativos, o gestor precisa gerir risco de mercado, liquidez, crédito e operacional, assegurando que os produtos oferecidos (fundos, carteiras administradas ou mandatos discricionários) respeitem o perfil do investidor e a regulação aplicável.

Em termos práticos, um gestor de recursos atua como procurador dos interesses do investidor coletivo ou individual, respondendo por decisões de investimento, execução de ordens, reequilíbrios e, muitas vezes, pela comunicação com cotistas e clientes institucionais. Para cumprir essa função de maneira adequada, as gestoras implementam políticas escritas (política de investimento, política de risco, compliance), utilizam processos de research e valuation, e mantêm comitês de investimento que deliberam sobre estratégias e limites.

No Brasil, o exercício da gestão é regulado e exige habilitação junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — por exemplo, a Resolução CVM nº 21 autoriza e disciplina o registro de administradores e gestores de recursos, definindo requisitos prudenciais e de conduta — e normas de autorregulação da ANBIMA complementam as práticas de governança do setor.

Quem são os gestores de recursos

Os gestores de recursos podem ser tanto pessoas jurídicas — gestoras independentes, bancos de investimento com área de asset management, seguradoras e bancos comerciais — quanto pessoas físicas habilitadas, quando autorizadas pela CVM a administrar carteiras. Em termos funcionais, há distinções entre as estruturas: algumas gestoras operam focadas em gestão ativa de fundos de investimento, outras prestam serviços de gestão discricionária para grandes investidores institucionais, e outras ainda atuam no nicho de gestão passiva (ETFs, índices).

O perfil do gestor combina formação financeira, experiência de mercado e certificações específicas (como CGA/ANBIMA ou habilitações exigidas pela CVM), além de uma equipe de analistas de crédito, analistas quant e especialistas em operações.

Do ponto de vista institucional, gestoras maiores tendem a dispor de departamentos dedicados a risco, compliance, execução e relacionamento com investidores, enquanto gestoras boutique podem se diferenciar por foco setorial ou por estratégias alternativas — private equity, venture capital, real estate ou crédito estruturado, por exemplo.

Independentemente do porte, o gestor responde à política de investimento do veículo que administra e a eventuais contratos de mandato, devendo atuar com diligência e lealdade ao cliente.

Como a ANBIMA destaca em seus códigos de autorregulação, o gestor tem responsabilidade técnica sobre a seleção e diligência de ativos, a gestão do crédito das carteiras e a implementação da política de investimento, incluindo a avaliação prévia de ativos de crédito privado antes de sua aquisição para as carteiras administradas sob sua gestão. Essas obrigações técnicas e éticas são a base para a confiança dos investidores no profissionalismo da gestão.

Como atuam no mercado de capitais

Na prática, a atuação do gestor envolve várias frentes operacionais e estratégicas: definição de alocação estratégica e tática de ativos, análise fundamentalista e/ou quantitativa dos ativos elegíveis, execução das operações nos mercados à vista e de balcão, reequilíbrios periódicos das carteiras e gestão ativa de riscos (market, crédito, liquidez e operacional).

Um gestor começa definindo um mandato ou regulamento do fundo, que estabelece objetivos (preservação de capital, busca por alfa, rendimento periódico), restrições (exposição máxima a classes de ativos, limites por emissor, uso de derivativos) e métricas de desempenho. A partir daí, conduz pesquisas para identificar oportunidades e decide quando comprar ou vender, considerando preço, liquidez e expectativa macroeconômica.

Em operações de crédito privado, por exemplo, o gestor realiza due diligence do emissoravalia garantiascovenants e estrutura de maturidade; em renda variável, monta tese de investimento baseada em valuation, governança corporativa e perspectivas de crescimento. Outra dimensão essencial é a execução: gestores profissionais costumam negociar via plataformas de negociação da B3, mesas de operações e redes de contato com bancos e agentes distribuidores para obter melhores preços e gerenciamento de impacto de mercado.

Além disso, a boa gestão exige políticas robustas de gestão de risco e de compliance — por exemplo, limites de concentração e stress tests — para demonstrar disciplina em cenários adversos. Em fundos de investimento, o gestor também interage com o administrador fiduciário, custodiante e comitês de auditoria para assegurar a integridade dos processos e a transparência para os cotistas.

Instrumentos e estratégias comuns

Os gestores de recursos aplicam um conjunto amplo de instrumentos: títulos públicos, debêntures, CRIs/CRAs, ações, derivativos (contratos futuros, opções, swaps) e ativos alternativos (imobiliário, infraestrutura, private equity). As estratégias variam do buy-and-hold fundamentalista à gestão macro tática, arbitragem estatística, long/short, crédito estruturado e soluções de multi-asset.

A escolha depende do objetivo do veículo: um fundo de renda fixa com objetivo de renda periódica prioriza seleção de crédito e rotação de curva, enquanto um fundo de ações busca identificar empresas com potencial de valorização e gestão ativa do portfólio.

Em crédito, gestores dedicam equipes a analisar cláusulas contratuais, garantias e cenários de recuperação; em renda variável, podem combinar análise bottom-up de empresas com top-down sobre setores mais promissores.

A inovação também tem levado gestores a explorar tokenização de ativos e soluções híbridas, integrando tecnologia e liquidez para ampliar o leque de possibilidades de investimento. Independentemente da estratégia, os gestores precisam explicar suas decisões aos investidores por meio de relatórios periódicos, sendo avaliados por métricas como retorno total, volatilidade, índice de Sharpe e consistência no cumprimento do mandato.

Regulação, governança e responsabilidades

No Brasil, a atividade de gestão de recursos está sujeita a regras da CVM (por exemplo, Instrução CVM nº 558 e a Resolução CVM nº 21 que consolidou requisitos para administradores e gestores), além de normas de autorregulação da ANBIMA para administração e gestão de recursos de terceiros.

Essas normas tratam de requisitos de registro, qualificação técnica, segregação de funções, gestão de conflitos de interesse e divulgação de informações aos investidores. A governança interna das gestoras inclui comitês de investimento, políticas de risco, compliance e controles internos que asseguram que o gestor atue conforme o fiduciary duty — dever de lealdade e diligência em favor dos investidores.

Em termos de responsabilidade, gestores e administradores podem responder por descumprimento de normas, omissão de informação relevante ou má conduta; por isso, a transparência e a documentação de decisões são práticas essenciais.

-A ANBIMA, por meio de códigos e procedimentos, também exige diligência adicional em operações de crédito privado e obriga gestores a manter políticas claras sobre conflitos e a divulgar relatórios que permitam aos investidores avaliar riscos e performance. A combinação de regulação pública e autorregulação busca equilibrar liberdade de estratégia e proteção ao investidor, promovendo confiança no ecossistema de fundos e carteiras administradas.

Gestores de recursos são a ponte entre recursos poupados e oportunidades de investimento, exercendo papel técnico, fiduciário e estratégico no mercado de capitais. Eles reúnem conhecimento, processos e infraestrutura para administrar risco e buscar retornos dentro de mandatos e políticas definidas, sempre sob supervisão regulatória. Para investidores, entender como os gestores operam — sua equipe, metodologia, governança e histórico — é tão importante quanto o produto em si. Escolher um gestor qualificado, com transparência e disciplina, é condição fundamental para alinhar expectativas e alcançar objetivos financeiros no ambiente complexo e dinâmico dos mercados.